A impotência perante a falta de condições.

O que mais revolta é saber que somos diferentes.

Não, não são diferenças de pensamentos, atitudes e sentimentos, isso é normal claro. Digo que somos diferentes pelo modo que somos tratados. Se você não tem condições financeiras e não conhece alguém que conhece alguém, você por tantas vezes perece.

Eu paguei caro para perceber isso.

A Helena pagou um preço indescritível, a própria vida.

 

 

Simples e puramente por não ser filha de um magnata, médico, alguém influente na cidade. Isso é muito triste para mim como mãe, saber que por certas circunstancias eu e ela perdemos de viver uma vida juntas.
Hoje meu segundo filho Helano foi ao hospital -nada grave- e lá depois de falar com uma mocinha linda com duas “chuquinhas” da idade cronológica da Helena, entrei no consultório. Depois de algumas frases ouvi da boca do médico:
“-Para mim é fácil conseguir uma UTI neo, eu e minha esposa fizemos plantão em várias, então quando eu preciso de um leito eu já ligo para onde ela esta e vice-versa”.
Não me contive, disse para o médico que um leito de UTI neo, não deve ser direito dos clientes deste ou daquele médico, não deve priorizar a conta bancaria dos pais e sim, tratar de forma igualitária e por ordem de gravidade a cada bebê que necessitar de um. Não aguento mais a hipocrisia de ouvir todos dizerem que somos tratados iguais. Que a prioridade é salvar a vida, independente da classe social do bebê.
Como se não bastasse, para finalizar o médico disse:
-É QUESTÃO DE SORTE…
Quer dizer que a Helena foi azarenta então? Isso que explica tanto valores desviados para o bolso dos políticos ao invés de ser aplicado em melhorias na saúde e tantos outros serviços???????
e se é questão de SORTE doutor, acho que o nome deveria ser “dinheiro”… “É QUESTÃO DE DINHEIRO” acho que seria muito mais verdadeiro e cruelmente real.

 

AUTHOR: Tatiana Maffini
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