Aos que me veem e pensam que já aceitei, me conformei…

Ontem quando fui ao projeto margarida, aqui em Gravataí. Enquanto por mais uma vez  exibia reportagens, fotos, documentos e relatava brevemente como perdi a Helena, uma mãe de Anjo e todas as outras mães olhavam buscando algum sentimento em mim. Em cada olhar percebi uma certa indignação, ao me ver parada ali, falando da morte de minha filha sem que esboçasse um sentimento de saudade. (igual ocorreu na FEARG)

Quando terminei de contar um pouco de nossa jornada e os objetivos da luta, a mãe de anjo falou rapidamente o que se passou com ela e seu amado filho. Depois olhou para mim e disse: “- Eu ainda não aceitei como você, não superei…” sofri ao escutar ela dizer que beijou seu filho, que ela mesma depois do que passou pensou inúmeras vezes em tirar a própria vida, mas deixei que ela terminasse de falar e somente disse que tudo o que elas viram em mim, em relação a morte da Helena é pura “fachada”. Não sei se me compreenderam, mas é isso, não sou forte, não superei ou aceitei, jamais vou me conformar de estar longe da Helena e é tão estranho que as pessoas pensem ao contrário. Quando fui para casa, chorei de estar na situação daquela mãe, de ter enterrado minha filha, de viver longe dela. Não entendendo tantas coisas a respeito do luto e também não compreendo porque ao ver a dor dos outros, tenho uma pequena dimensão da minha. Vi que aquela mãe buscava em mim respostas, pensava que eu de algum modo poderia lhe mostrar o caminho. Foi só então que percebi o quanto me fechei, o quanto não demonstro nada do que sinto aos outros, mostro uma serenidade que não tenho. Minha família sabe como não me permito sofrer, não porque sou fraca, ou forte, mas porque tenho um objetivo. Acho que essa foi a peça fundamental para chegar até aqui sem me perder, a vontade de chegar em algum lugar. Foi e é o que funciona para mim sobreviver depois de perde-la.

Quem me olha não vê a dor quando sonho com ela, quando imagino como ela estaria grande, com o cabelinho igual o meu, linda… caminhando… correndo já…de sandalinha, botinhas…

Isso ninguém sabe, ninguém vai poder me devolver, nada no mundo vai me proporcionar a felicidade de vê-la chamar meu nome.

Dói tanto que não há como descrever, mas pode ter certeza que se um dia você me ver trabalhando nas coisas da Campanha por Mais leitos, pode ter certeza que não esboçarei a dor ao lembrar da minha “picurruchinha”, do meu “pintinho” da minha tão Amada Helena, porque lá você vai ver não somente a mãe da Helena, mas a diretora de uma ONG responsável por tentar, somente tentar salvar vidas.

 

AUTHOR: Tatiana Maffini
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