Ele também perdeu a Helena.

Ele perdeu seu bebê também!

Deve ser muito difícil ser um homem em sofrimento uma vez que “homens não choram”e tem que ser “homens fortes”…

 

Lágrimas podem trazer alívio, mas eles não podem chorar. Deve ser muito difícil enfrentar a perda assim, receber as visitas…Eles sempre perguntam se a pessoa está bem e o que  está passando. Mas raramente pegam na mão dele e perguntam: – “Meu amigo, mas e você, como está?” Ele ouve a esposa chorando na noite e pensa que se fraquejar vai quebrar o seu coração então ele segura suas  lágrimas ao enxugar o rosto de sua esposa e a conforta, “permanece forte” por sua causa. Deve ser muito difícil começar cada dia com esse pensamento, “ser forte” tentar ser tão corajoso a ponto de levar toda a dor sozinho em seu interior e ainda carregar a metade da dor que sua amada leva no peito.

Ele perdeu seu bebê também. 

Baseado em Grieving-Mothers

Tantas pessoas ao longo de todos esses meses me falavam a respeito do que uma perda dessas é capaz de fazer com a vida de uma pessoa, com a vida de um casal…Nunca eu e meu marido de forma alguma culpamos um ao outro pelo aconteceu, na realidade geralmente quando um chora o outro consola, nem tudo são “flores” mas somente um casal sabe o que é ficar em uma casa onde foi feito tantos planos e o quanto as noites são enormes sem um filho que foi tão esperado. Meu marido sempre foi “coração mole” e em certas ocasiões cheguei a ter medo da reação dele na primeira perda em família, sempre pensava que ele não iria aguentar se a perda fosse da mãe, pai enfim de alguém muito próximo. Quando engravidei, meu alemão “engravidou” junto, participou de tudinho mesmo, só não carregou a Helena na barriga mas ele esteve junto em cada momento, viajávamos de caminhão então era o dia e a noite toda juntos, cantávamos para ela, fazíamos brincadeiras, planos… no dia em que tudo aconteceu foi como se não houvesse ninguém ali além de mim e da Helena, e o Giovane disse que para ele foi a mesma coisa, então não lembrei de olhar para ninguém, mas agora me voltam flashes daquele dia e relembro dele, parado, olhando para ela…ele a amou e a ama muito, não sei como é com outros pais, mas meu marido a amou tanto a ponto de deixar de um sonho por ela, de deixar da profissão dele para a manter mais segura, e desde o dia em que ele soube que ela viria todos os esforços dele foram para dar a melhor vida que ele pudesse para nós duas. Hoje passados quase um ano percebo que muitas pessoas não sabem o quanto um pai sofre a perda de uma filha, até hoje quando ele chora por ela, ele se pergunta porque não pode salva-la, sentimento de um pai protetor que sempre achou que iria poder mante-la segura,  e isso acho que é o mais difícil para eles, aceitar que são tão frágeis e impotentes sobre a perda de um filho como nós mulheres, ele raramente chora na minha frente em geral chega de onde trabalha com os olhos inchados e diz: “-Pensei muito nela hoje” eu tive a sorte ou azar de bloquear tudo na minha cabeça, assim não tenho a dimensão real do que aconteceu, mas ele, ele lembra desde o biquinho que ela fazia para fazer cocô até como ela fazia com a boquinha enquanto mamava…mas tentamos não chorar muito, para não fazer ela sofrer, e assim vamos levando, os dois, quando um está caído o outro ajuda a levantar, tem dado certo até o dia de hoje e tomara que continue dando…é como eu sempre digo:”-para ser perfeito só faltou ela”…

AUTHOR: Tatiana Maffini
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