Fechar a Ong Amada Helena?

Alguém que amo insiste muito que eu largue a Ong. 
Esta pessoa alega que não me traz nada de bom, (definição de bom- Dinheiro, formação) e infelizmente é assim que a maioria das pessoas vê tudo isso. Pensam que não dá para mudar porque a Helena não vai voltar.



Realmente nossos filhos não vão voltar, mas podem ter certeza que daria minha vida para isso. Então quando pensamos assim, que nosso filho está onde deixamos seu corpo, bate um desespero, tudo se perde, o ânimo, a vontade de lutar…Mas quando acontece (e acontece!) penso na Helena, no quanto a existência dela foi e é importante na minha vida, como ela me modificou, me ensinou. Não consigo sufocar o amor que sinto, confesso que a visualizo no céu, me olhando, dizendo “- Mamãe não desiste”…Então lembro, a Helena deve ter orgulho de mim.
Pode ser tudo bobagem, realmente pode ser que a morte leve nossos filhos e que eles permaneçam lá, um corpo sepultado e só, mas meu modo de pensar é o que me ajuda a sobreviver, é assim que penso para ter forças. Se Deus existe mesmo (ninguém pode afirmar), o que é real é algo que podemos tocar o resto tudo é fé…E isso tenho de sobra, fé no amor que tenho pela minha pequena. Ela foi, digo, ela é muito para ficar no passado, esquecida, perdida nas lembranças de alegrias, sonhos, desespero e despedida. 
Não tenho outra forma de honrá-la senão pelo meu trabalho, não tenho como demostrar meu amor se não pela dedicação a esta Ong. É isso que me mantém perto dela.
Esta pessoa ainda pede que eu faça uma formação (só tenho ensino médio) e concursos, que faça minha vida, trabalhe (entenda trabalho como trabalho remunerado) e que construa um futuro para o Helano, afinal ele está vivo, tipo por ela não tem o que eu possa fazer. Teria uma forma melhor de proporcionar um futuro melhor amando o Helano e não me deixar levar pela dor devastadora de perdê-la? Só isso é uma vitória para mim e olha que sei o abismo que é a realidade para as redes sociais, no mundo real o que define muito é nossa condição financeira. Não me entendam mal, sei como é importante o dinheiro e a diferença brutal em nossa rotina, da nossa família, na vida, em tudo. Mas lembro da sensação de olhar a Helena naquele dia maldito e pensar “Porque não fiz nada?” Sempre soube como era a situação na saúde, vi tantas vezes, porque não fiz nada antes? Enquanto olhei a Helena sofrer 12 horas e se despedir da vida. Agora, se um dia eu puder reencontrá-la, quero ter a certeza que fiz tudo ao meu alcance para mudar meu discurso. Não adianta me arrepender momentaneamente e não mudar de atitude, quem sabe se alguém tivesse feito tudo isso antes ela não estaria morta. Então mesmo que a mãe que seja salva de perder um filho pela falta de UTI neo nunca saiba quem é Helena muito menos todo o trabalho que faço, é irrelevante. Nós saberemos que a vida de um inocente foi poupada. Quanto ao Helano, ele vai compreender que não tivemos uma escolha, que a vida aconteceu assim, que para a mãe dele sobreviver não haveria outra forma. Que o manual “Como fazer as coisas corretamente” não foi entregue a sua mãe, aprenderá que mesmo o dinheiro sendo fundamental, tem coisas que nem o cartão master card compra…

AUTHOR: Tatiana Maffini
No Comments

Sorry, the comment form is closed at this time.