Luta por mais leitos de UTI neo natal

TEXTO QUE LI AOS VEREADORES NA TRIBUNA POPULAR.

 

“Aos que se interessam pela causa e não conseguirem compreender o vídeo. 

Deixo aqui minha Homenagem a Helena, Benício, Bernardo, Ellen, Marjori, Davi, João e tantos outros bebês que faleceram esperando um leito. 

Boa tarde a todos os presentes, senhores vereadores e senhora vereadora, em nome da nossa associação agradeço a oportunidade para provocar este importante debate.
O assunto é chocante, mas não poderia deixar de mostrar a realidade, cada um desses bebês perdeu a vida esperando um leito de uti neonatal, que a lei deveria ter sido garantido a eles.
Para o governo estas crianças são apenas dados estatísticos, irão fazer parte de algum gráfico, UM bebê a mais nas estimativas da mortalidade infantil . Porém por trás de cada criança que morre, existe o sonho de uma família, o planejamento, a espera. E tudo isso morre junto com este anjo que não teve a oportunidade de atendimento médico qualificado.Destes breves relatos distribuídos para todos, cada palavra que foi escrita ainda dói profundamente e irá doer todos os dias no coração de cada mãe que os escreveu. Poderíamos conversar aqui a dia todo, o ano todo e isso não iria mudar. Todas nós continuaríamos chorando a perda de nossos filhos, esta é uma dor irremediável e incurável. A minha história e da minha pequena Helena começou a 17 anos atrás quando eu e meu marido nos conhecemos, e após 2 anos de relacionamento começamos a sonhar com um filho, sonho que só se realizaria 15 anos depois. Entre três nomes optamos por chamá-la de Helena pelo seu lindo significado…. “Repleta de Luz”…… e é o que hoje define nossa pequena. Ela nasceu com um sopro cardíaco confirmado na revisão dos dez dias, medicada e mandada para casa, nossa filha ficou por uma semana conosco até que tivemos que leva-la ao hospital novamente porque ela havia se desidratado, chegando lá percebeu-se a necessidade de um leito de UTI neonatal já que ela tinha apenas 17 dias. Foram horas horríveis e indescritivelmente angustiantes em que o desfecho foi o pior que poderia ser, perdemos nossa Helena após ela ter lutado bravamente por 12 horas. Mesmo com ação judicial, não foi disponibilizado nenhum leito de UTI Neonatal em todo RS, a tempo de oportunizar a Helena apenas uma chance de salvá-la.Eu jamais vou esquecer cada olhar, cada pedido de socorro silencioso de minha filha. Dela sobrou-me somente a dor de perdê-la e a garra de lutar. Por isso estamos aqui, vamos lutar para que isso não aconteça a outros bebês e para que esse grave problema pare de destruir famílias. Helena é a semente de tudo, esta luta se iniciou naquele dia, por ela, e custou a vida dela. A realidade é devastadora e quase inacreditável mas o amor por ela é o que nos mantém firmes. Não tenho como pôr em palavras o que a falta deste leito de UTI causou em nossas vidas e não há luta nem vitória que possa mudar isso, o que tem nos confortado é o fato de poder evitar que se repita, assim preservaremos o nome da Helena e a cada bebê salvo a memória dela renascerá e a morte dela já não terá sido em vão. Depois do algum tempo, sedentos de justiça, começamos a ler mais a respeito para saber se o caso da morte de nossa filha havia sido um caso isolado e descobrimos que não, infelizmente inúmeros bebês já faleceram na cidade e no país pela falta de um leito de UTI neonatal –com até 30 dias de vida- No dia 17 deste mês, mais um bebê perdeu a vida no Hospital Dom João Becker pela falta de um leito.Fomos em busca de conhecimento do problema, e quanto mais nos informamos, mais vemos a necessidade de tentar conscientizar o maior número de pessoas que conseguirmos. Para isso fundamos a Associação Amada Helena com o objetivo de conscientizar, orientar e ajudar aos pais e a sociedade em geral. Já entendemos que não será a curto prazo que poderemos resolver ou pelo menos melhorar esta realidade já que o espaço físico e material não são o maior problema e sim a falta de profissionais qualificados para trabalhar nesta área.Vimos a necessidade de idealizar projetos sociais para orientar as mães nos cuidados com seus filhos recém-nascidos como prevenção a evitar ao máximo o uso de uma UTI Neonatal.Também não poderíamos deixar as mães que perderam filhos desamparadas então idealizamos o Projeto Acolher com palestras e acompanhamento psicológico de apoio para as mães de luto. Projeto Mamãe amiga, que propõe que mães da capital recebam mães do interior com seus filhos em utis neonatais para que estas possam tomar um banho e ter uma refeição digna, Projeto casulo, que dará palestras em bairros para gestantes carentes, que vai abordar temas como a importância do pré-natal e primeiros cuidados com o bebê. Gravataí sendo o 6° município mais populoso do Estado, teria a necessidade de pelo menos 12 leitos de UTI Neonatal, porém alguns pais são obrigados a optar por levar seus filhos até Porto Alegre ou Cachoeirinha, pois em nossa Cidade não há recursos suficientes para garantir a vida de nossas crianças.
Essa dura realidade tem que mudar. Para isso vimos pedir o apoio de cada vereador, vereadora, e da comunidade em geral, para ajudar-nos a recolher mais assinaturas na Petição por mais leitos de UTI Neonatal, que atualmente já conta com mais de 17 mil assinaturas, quero entregar pessoalmente a presidente e pedir mais atenção ao problema. Vimos reafirmar a necessidade da construção de um hospital público em Gravataí, e com isso contamos com o esforço de todos vocês. Também solicitamos o apoio de todos na aprovação do Projeto de Lei que cria o dia para reflexão e apoio as mães de anjos e crianças desaparecidas, que esta sendo elaborado pelo Vereador Dimas e que brevemente será protocolado nesta Casa. Deixo aqui meu agradecimento a todos os presentes e as pessoas que tem se empenhado para nos ajudar de alguma forma!”

Para ver o power point da apresentação na câmara

http://pt.slideshare.net/giovanemaffini/power-point-da-apresentao-na-cmara-de-vereadores

Hoje, quando começou a aparecer as imagens, os rostos de alguns dos bebês que perderam a vida por falta de leitos acredito que um pouco da realidade caiu na câmara de vereadores, do silêncio absoluto -fato raro- vi brotar a indignação de alguns, vi não mais somente vereadores e sim pais de família. Fiquei feliz com o debate de verdade, que foi citado várias vezes “independente de partido políticos temos que resolver isso” e vi um pouco de sinceridade em cada um que se referiu a nós. Se não mudamos algo, pelo menos iniciamos algum debate, agora vamos seguir ainda mais para quem sabe um dia termos a felicidade de chegar em uma UTI neo: AMADA HELENA.

Fiquei triste hoje ao chegar na Câmara de vereadores e ver que a dor de perder um filho não importa a quase a ninguém, fiquei triste em saber que mesmo tendo tantas pessoas reclamando da saúde em Gravataí foram poucas as que se fizeram presentes, fiquei mais triste em ver o rosto de uma mãe que havia perdido seu filho João pelo mesmo motivo que perdi a Helena. Depois lembrei que a tristeza é minha companheira e que sem uma luta árdua e incansável não vou conseguir e quando levantei a cabeça vi minha família, meu esposo, meus pais, minha irmã e meu filho, vi também os amigos Lidiângela e Altair assim como quase todos os conselheiros tutelares de Gravataí e uma conselheira de saúde, enchi-me de energia e fui até o plenário. Obrigada a cada amigo, familiar e aos vereadores pelo apoio.

AUTHOR: Tatiana Maffini
No Comments

Sorry, the comment form is closed at this time.