Será que estou carente?

 É impressionante como depois de passados tantos meses algumas pessoas arricem criam coragem de vir nos falar coisas a respeito de tudo o que eles viram e tudo o que sentiram a respeito de nossos filho, assim como é impressionante a quantia que isso ainda dói lá no fundo de nossa alma. Hoje sai para comprar umas coisas em uma vizinha que tem comércio aberto ao publico, sempre quando fui lá peguei o que precisava e trocava algumas palavras e ia embora, mas não sei o que aconteceu hoje que iniciamos uma conversa de mais ou menos uma hora a respeito da Helena. Acho que começou ela perguntando o porque eu não paro quieta um minuto, então comecei a contar a ela que uma das formas que encontrei de viver depois de perder minha pequeninha foi não ficar com um minuto livre para pensar sobre aconteceu, levanto cedo, trabalho, limpo casa e não deixo nenhum tempinho se quer sem alguma atividade, sei como estou exausta que preciso de um descanso mas tenho medo de parar e cair em mim, então levando assim dia após dia já fazem um ano que levo aqui dentro de meu peito a maior dor que uma mãe pode levar, viver sem minha Amada Helena. Quando terminei meu desabafo essa mãe começou a contar que foi no velório da minha princesinha e que nunca imaginou que ela seria tão linda, e disse também que nunca mais vai esquecer o rostinho dela naquele dia, chegou a me perguntar como consigo viver, na realidade nem eu sei como falei a ela, só acho que não tenho outra opção, e ela continuou dizendo que um domingo em que eu e meu marido estávamos sentados em frente a nossa casa tomando chimarrão ela e seu marido nos observaram e ficaram imaginando como a Helena estaria brincando, e ficaram comentando como eles gostam de criança e de como foi triste tudo o que aconteceu. Ficamos ali falando por uma hora, eu abrindo meu coração para uma pessoa que mal conheço, como é impressionante o sincronismo de pensamento e sentimentos de mães, nem por um minuto me senti mal de estar abrindo minha tristeza para ela que me confortou com um sentimento sincero de pêsames, não com belas palavras mas com os olhos mareados com lágrimas de solidariedade. Percebi como uma mãe depois que acontece uma fatalidade dessas fica carente, não importa com quantas pessoas você converse, sempre  terá a vontade de trasbordar seu amor em palavras, sempre terá vontade de dividir sua dor, sua tristeza e de contar a todos como foi bom poder ser mãe de pessoinha tão especial.
AUTHOR: Tatiana Maffini
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