Você vê a luz?

 

As janelas da Alma 

Dentre as tantas coisas que tememos na vida, com certeza a morte é maior delas. Tememos a morte não somente de nosso corpo, mas a morte de todos que amamos. Não é um assunto que pensamos todos os dias, mas ele está presente em algum momento, todos temos medo que tão inexplicável e doloroso acontecimento venha bater a nossa porta, mas a morte que uma mulher mais teme é a morte de seu bem mais precioso, seu filho. Graças a Deus muitas mulheres vão passar pela morte, pela transformação para a vida eterna, sem saber o que é enterrar um filho, mas infelizmente muitas de nós vão ter que sobreviver a essa perda. O modo de cada uma reagir é o que mostra como somos diferentes e iguais ao mesmo tempo, uma perda assim e sua reação não é definida pela sua religião, fé, família ou seja o que for, na realidade se você pensar bem nem cada uma de nós sabe como iria reagir a tamanha dor, eu não sei até hoje como reagi. Vou tentar explicar como me sinto para que você entenda melhor. Imagine que a vida é uma casa, ela tem muitos cômodos e dentro deles muitas coisas que cabem a necessidade daquele lugar, em cada uma dessas peças, existem janelas que são as perspectivas de onde podemos chegar. Existem os cômodos do trabalho, o da família, o do amor, e assim por diante, ao longo do tempo vamos colocando e tirando a mobília que achamos necessária para que a peça funcione direito, por exemplo, na peça da família, colocamos a mobília do respeito, amizade, cumplicidade, já no cômodo do trabalho, colocamos a eficiência, organização, disciplina, e assim vamos arrumando nossa vida de dentro para fora, sempre vislumbrando pelas janelas o que podemos melhorar. Mas como existem cômodos bons, existem os cômodos que não queríamos ter que colocar dentro de nossa vida, como o cômodo da morte, nele a mobília é pesada e escura, geralmente é a dor, a saudade, a perda, a despedida de quem mais amamos. As vezes somos forçados a ir para esses lugares de nossa vida que nos entristecem só de pensar que eles existem, toda morte é triste, enterrar pai, mãe, irmão são momentos que marcam e determinam muitas mudanças na vida de cada um, já um filho, é uma dor que denomina toda sua existência, pois ela fica ao contrário das leis da vida, quando você vai a uma dessas partes de sua vida, pela perda de um filho, é quase que impossível que você não se perca dentro desse cômodo tão grande e pesado chamado morte, é quase certo que você se debruçará sobre a mobília da saudade e não mais veja a luz que ilumina nossa vida, ela é o que nos faz vislumbrar todo o que há fora de nossa vida, é ela que nos faz querer buscar o melhor, querer ser uma pessoa melhor, essa luz se chama Deus, e ela é a única coisa que pode entrar neste quarto escuro sem desrespeitar tudo o que há nele. No primeiro momento você vai olhar essa luz e ela vai te incomodar por querer te tirar da escuridão da tristeza, mas quando você aos poucos se aproximar da janela, você verá algo de bom, seja o tempo que esse filho passou com você, os sonhos que você construiu com ele ou simplesmente verá o quanto nossa vida é passageira e que um dia você vai reencontra-lo no céu e que mesmo esse cômodo fazendo parte da vida de todos nós, sempre podemos parar no beiral da janela e ver tudo o que Deus nos deu, ver tudo o que a luz de Deus nos mostra, não aceitarmos viver na escuridão da dor e da saudade e sim , visitar esse cômodo por ser inevitável as vezes deitar na cama da saudade e lembrar de tudo o que perdemos junto de quem amamos, e no outro dia, levantar, e seguir organizando a vida, de dentro para fora, não por não sofrermos mas por sabermos que se nosso filho pudesse falar conosco esse seria seu maior pedido. Então se você hoje está debruçada nos braços da dor, reze e peça a luz de Deus para entrar e te dar forças de chegar no beiral da janela e ver o tanto de vida que ainda restou organizar, para que quando o dia do reencontro acontecer, você possa ter na alma mais que tristeza e dor, e sim ter um amor tão forte e puro que te aproximou de Deus e fez acreditar na vida que Ele prometeu, um amor que te fez reagir quando ninguém mais acreditava que fosse conseguir,um amor que é tão puro e incondicional como o amor Dele por seus filhos, que nem a distancia, o tempo e ausência pode abalar, o amor de mãe, esse amor nasce com nossos filhos e fica em nossa alma e nos ensina a ser pessoas melhores para merecer o reencontro e a eternidade ao lado deles.

Tatiana Oliveira- Texto registrado se copiar ou modificar, citar fonte

AUTHOR: Tatiana Maffini
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