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Como será voltar ao trabalho?

Começo com esta pergunta, pois eu mesma me questionava: Como poderia ser normal voltar ao trabalho? Nada fazia sentido, nada parecia ser normal! Como encontrar sentido em retornar às rotinas sem tudo o que planejamos? Porque sim, quando o resultado do teste de gravidez foi positivo, o planejamento mental já tinha até alcançado a faculdade do filho… Retornar, seguir a vida, ver pessoas vivendo normalmente… Será que irão falar sobre minha filha? Será que se lembrarão de que sou mãe? Será que irão me excluir? Ou me incluir? Muitos medos e questionamentos passam pelas nossas cabeças. Eu, Tamara, sofro muito por antecipação. Tive muitas noites sem sono pensando em como seria retomar as rotinas do trabalho, principalmente. Eu, como profissional de RH, também percebi o quanto pequei em algumas situações e como gostaria de ter feito diferente, ter feito a diferença. Foram poucas as vezes em que recepcionei ou trabalhei com alguém que tivesse perdido seu filho e agora eu estava naquela posição, na posição de profissional que retorna, sem ser do RH, sem saber como seria a recepção. Mais um gatilho adicionado! Mas fui trabalhando isso em mim… Eu não teria o controle mesmo. Tive um retorno leve e tranquilo e logo que voltei, conversei com colegas, com a minha chefe e fiz o possível para explicar como eu me sentia. Fui bastante clara, falei dos meus medos, das minhas angústias, falei que estava com medo de não corresponder mais às expectativas da empresa, fui bastante sincera e ao longo do tempo eu sempre retomava este assunto. Demorei para me reencontrar, tinha muitos lapsos de memória, déficit de atenção, falta de concentração… Mas, quando alguém me chamava para tirar uma dúvida, lembrava de mim como parte da equipe, perguntava minha opinião, esses simples gestos me davam força para seguir naquele local. Este retorno é uma atividade em equipe sim, hoje eu compreendo muito isso. No entanto, exige um esforço diário de nós mesmas. Uma reafirmação de que somos capazes, de que tudo bem estarmos sofrendo ao mesmo tempo em que temos que pensar em como será a reunião… Reencontrar esse ponto de equilíbrio pode levar tempo e descobrir como fazer isso é um tanto quanto individual, porém, o que trago aqui, é uma mensagem de que é possível, de que nós conseguimos. Nós ainda seremos mães (ou pais), ainda seremos os mesmos profissionais, ainda seremos aprendizes e que todos os dias seremos capazes. Conseguimos ser tudo isso e mais ainda, em uma só pessoa. Então, se posso contribuir com a minha história, digo que é muito importante sermos sinceros conosco mesmos, com nossos sentimentos e com nossos colegas, pois eles não terão como saber exatamente o que estamos vivendo e planejando, se não passarmos essas informações de forma clara. Para mim, esta troca foi muito importante na busca de recolocação dentro da equipe em que trabalho, na busca de me reencontrar profissionalmente. Por isso, espero que este depoimento te ajude também.

Com carinho, Tamara, mãe da Lívia.

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