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O diálogo sobre saúde mental materna precisa ser profundo e em todas as camadas sociais

A saúde mental materna precisa ser discutida a partir das condições reais em que as mães vivem, cuidam, trabalham, adoecem, são amparadas ou permanecem sozinhas.

Ela não pode ser tratada como se todas as mães partissem do mesmo lugar, tivessem a mesma rede de apoio, o mesmo acesso à informação, o mesmo direito ao descanso e a mesma possibilidade concreta de serem cuidadas.

Quando uma mãe perde um filho, a experiência da perda não escolhe classe social. Nenhuma perda deve ser medida, comparada ou hierarquizada. Mas é necessário reconhecer que as condições em que essa mãe tenta continuar existindo depois da morte do filho não são iguais.

Há mães que conseguem parar. Há mães que são amparadas. Há mães que têm alguém para cozinhar, lavar, organizar a casa, cuidar dos outros filhos, acompanhar consultas, buscar informação e sustentar o cotidiano por alguns dias.

E há mães que, mesmo com a vida em colapso pela perda de um filho, continuam lavando roupa à mão, cozinhando, trabalhando, cuidando de outros filhos, enfrentando transporte precário, insegurança financeira, falta de informação, solidão institucional e ausência quase total de rede.

Falar de saúde mental materna sem olhar para condições financeiras, acesso, raça, território, linguagem, trabalho e rede de apoio é transformar um diálogo necessário em uma conversa superficial.

Não basta falar sobre a importância da saúde mental materna. É preciso perguntar: quem está dividindo o peso do cotidiano? Quem está garantindo informação? Quem está oferecendo cuidado real? Quem está impedindo que essa mãe atravesse a perda sozinha?

A saúde mental materna exige discussões profundas porque não se trata apenas de sentimento. Trata-se de condição de vida, proteção social, linguagem cuidadosa, acesso e reconhecimento.

Depois da morte de um filho, nenhuma mãe deveria precisar provar o tamanho da sua vivência. Mas muitas ainda precisam lutar para que sua experiência de luto parental seja vista enquanto continuam fazendo tudo o que a vida exige, como se nada tivesse acontecido.

Olhar para isso também é cuidar da saúde mental materna.

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