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Toda morte de filho é uma perda precoce!

Se for um bebê ou se for um adulto de 60 anos

Quando usamos a expressão “perdeu um filho precocemente”, especialmente ao falar da morte de um bebê, existe uma questão importante nessa construção: ela sugere que poderia existir uma morte de filho no tempo esperado ou correto.

A palavra “precoce” costuma ser usada para situações que aconteceram antes do tempo considerado adequado. A puberdade precoce, por exemplo, recebe esse nome porque ocorreu antes do período esperado para aquele desenvolvimento. Existe, nesse caso, uma referência social, biológica ou cronológica do que seria o “tempo esperado”. Mas, na morte de um filho, essa lógica não funciona da mesma forma.

A morte de um filho sempre rompe a continuidade esperada da vida. Independentemente da idade, ela acontece antes do que deveria acontecer — justamente porque a morte de um filho não deveria acontecer.

Por isso, dizer que uma perda foi “precoce” pode acabar sendo redundante, porque, para quem vive o luto parental, toda morte de filho é precoce.

Além disso, essa expressão desloca o olhar para o tempo vivido

como se a duração da vida definisse a importância daquele filho dentro da família.

E não define. Um bebê que viveu dentro ou fora do útero por horas, dias ou meses continua sendo filho, continua tendo lugar, história e impacto na vida de quem o ama.

Por isso, ao falar sobre a morte de um bebê, preferimos formas mais concretas e cuidadosas de linguagem, como: “morreu no início da vida” ou “perdeu um filho no início da vida”. Essas expressões retratam o que aconteceu sem minimizar a vida daquele filho e sem criar a ideia de que algumas mortes seriam mais naturais ou mais esperadas do que outras.

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